Fábrica da Ypê tinha sujeira, e bactéria foi achada em produtos de limpeza duas vezes, dizem fiscais
Máquinas e tubulações da empresa em Amparo (SP) tinham acúmulo de poeira; vigilância sanitária investiga origem de água contaminada usada no produto
Segundo o diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), Manoel Lara, a decisão de interromper a produção foi motivada por uma incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, constatado inicialmente em novembro de 2025.
Naquela ocasião, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos feitos no ano passado. Esse patógeno não é altamente contagioso, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão, e particularmente em pacientes com fibrose cística

Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção — disse Lara. — De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas.
— Tinha acúmulo de sujidades no ambiente, no piso, em cima de tubulações e máquinas, com poeira, o que demonstrava uma falha na questão de limpeza — disse. O CVS afirma que entre a intervenção feita na empresa em novembro e a análise feita agora em abril, alguns lotes saíram aparentemente limpos, tendo passado por testes sanitários. O encontro do micro-organismo nos produtos feitos mais recentemente, porém, reacendeu a preocupação. Por isso a Agência Nacional de Vigilância (Anvisa), que também participou da fiscalização, determinou desta vez não só a retenção dos produtos, mas também o fechamento das instalações daquele setor da fábrica.
A linha de produção interrompida é grande e tem capacidade para fabricar, anualmente, 23 mil toneladas de detergente e 33 mil toneladas de lava-roupa líquido. A Anvisa não especificou a quantidade de produto que deverá ser recolhida no mercado, mas sabe-se que são unidades envasadas num período de seis meses, de abril a setembro de 2025.
Outros lotes do produto feitos depois disso ficaram retidos na fábrica para análises, após a intervenção da Anvisa em novembro. A Ypê possui mais linhas de produção na fábrica de Amparo e em fábricas em outros lugares do Brasil, que não foram autuadas no caso. O auto de infração de hoje foi lavrado pela prefeitura de Amparo, que tem essa responsabilidade na coordenação com estado e União.
— Agora a empresa tem dez dias para impetrar um recurso, se quiser. Se o recurso não apresentar argumentos suficientes para negar a violação das boas práticas de produçao identificadas pela Anvisa, é possível que se determine uma multa — disse o secretário de comunicação de Amparo, Luiz Crescenzo.
.gif)

Comentários
Postar um comentário