Cabine em chamas, explosão súbita e desintegração: o que aconteceu nas missões fatais da Nasa

 



Ao contrário do sucesso da Artemis II, que pousou na Terra nesta sexta (10), a instituição já registrou três tragédias que expuseram falhas técnicas e de gestão e levaram a mudanças profundas na segurança das missões espaciais.

Após dez dias no espaço, a missão Artemis II voltou à Terra nesta sexta-feira (10), reforçando uma trajetória de avanços na exploração espacial — mas também de episódios trágicos.

Responsável pelo voo, a Nasa é a mesma agência que colocou o homem na Lua seis vezes desde 1969, começando pela Apollo 11.

Apesar do grande sucesso, a instituição também viu, ao longo das décadas, três de suas missões transformarem avanços em tragédia e exporem os riscos da exploração espacial.


A primeira das missões que, mais tarde, levariam o homem à Lua não chegou a decolar rumo ao espaço. Na verdade, um incêndio durante um ensaio de lançamento acabou matando os três astronautas que compunham a missão, Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee.


Em 27 de janeiro de 1967, a tripulação se posicionou na cabine para a realização de um teste de rotina na base de Cabo Canaveral, na Flórida.

O teste acumulava problemas técnicos desde o início. Havia falhas na comunicação, defeitos na fiação e problemas no controle de qualidade. O próprio Grissom, comandante da missão, demonstrava irritação. Em um momento de frustração, chegou a dizer: Dentro da cápsula, o ambiente também contribuía para o risco. A cabine estava pressurizada com oxigênio puro — prática comum na época —, o que tornava qualquer faísca potencialmente devastadora. Em poucos segundos, as chamas tomaram conta do módulo de comando. O ambiente altamente inflamável e a presença de materiais combustíveis dentro da cápsula contribuíram para a intensidade do incêndio.

A resposta da cabine de controle demora segundos: "Tripulação, vocês conseguem sair neste momento?". Ninguém responde.Além de as chamas se alastrarem muito rapidamente, a porta da cápsula abria para dentro e, com o aumento da pressão interna causado pelo fogo, não era possível abrir.

A tripulação não conseguiu escapar. Os três homens morreram rapidamente.

A tragédia levou a uma ampla revisão nos protocolos da Nasa. O projeto da espaçonave foi reformulado, os padrões de segurança foram reforçados e o uso de oxigênio puro em testes no solo foi abandonado.


No dia 28 de janeiro, o ônibus espacial Challenger explodiu durante o lançamento, a partir do Kennedy Space Center, na Flórida, e matou todos os sete tripulantes da missão STS-51L.

A tragédia ocorreu 73 segundos após a decolagem e a causa do acidente foi uma falha nos O-rings, anéis de vedação de borracha presentes nos foguetes auxiliares.

As temperaturas extremamente baixas na manhã do lançamento comprometeram a flexibilidade do material, impedindo a vedação adequada. Com isso, gases quentes escaparam, atingiram o tanque de combustível e provocaram a desintegração da nave ainda no ar.

Investigações posteriores mostraram que o desastre poderia ter sido evitado. Engenheiros da empresa Morton Thiokol alertaram na véspera que o lançamento não deveria ocorrer sob frio intenso, mas a recomendação foi ignorada após pressão de autoridades da Nasa e da própria empresa.

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